segunda-feira, 28 de maio de 2012

Verdade! Erros... Razão.



Eu aprendi na jornada profissional e da vida que chefe, pai e mãe têm sempre razão.
Quanto menos discutir com eles, melhor!
Isto faz com que os funcionários e filhos se "fechem", evitando diálogos e também que se sintam inseguros quando o "erro" lhes é imputado.
Chegam a ter medo do chefe, pois o funcionário é sempre o que errou porque não interpretou bem a ordem do chefe (chefe não erra, sempre tem razão!)
Com os pais é a mesma coisa: por culparem os filhos, reprimindo-os, provocam o afastamento deles. O filho se fecha, afasta-se. Muitas vezes por insegurança, o que é uma pena.
A aprendizagem da vida é feita com acertos e erros. Quando reparamos e corrigimos erros, estamos crescendo, aprendendo e valorizando os acertos.
Também precisamos ter a sabedoria de escolher bem o que falar, como falar, e ter a força da sinceridade nos relacionamentos.
Este "saber" traz como recompensa a admiração, amizade e gratidão!
Quanto menos se magoa, mais fácil fica o relacionamento.
Quem está com a "razão", muitas vezes não está com toda a verdade. Mas a razão dá forças para se sentir um super-homem ou mulher-poderosa, mas, muitas vezes, bem solitários.
Quantas vezes as pessoas assenhoram-se de nossos planos, idéias e soluções como se fossem seus...
Nunca fiquei aborrecida quando isto aconteceu, porque eu sabia que a idéia era minha, a inteligência de idealizá-la era minha, muito minha! E sentia-me realizada por ela ter dado certo!
Um provérbio que aprendi com minha mãe e que sempre me ajudou na vida profissional:
"Em boca fechada não entra mosca!" (caiu nos meus ouvidos... morreu!)
Com ele aprendi a conviver, ouvir e calar. Aprendi a ouvir as reclamações, fofocas do dia-a-dia, com discrição e sem dar "razões", mas procurando ajudar a resolver os problemas, se fossem importantes.
Cuidado! Chefe, pai, mãe têm sempre razão. Só os "idosos" é que não! Que pena...

Mas notem bem: no início da minha vida profissional tive 2 ótimas amigas e incentivadoras que eram minhas superioras no trabalho: Dª Suzel e Dª Emma. Diretoras amigas, presentes e estimuladoras, sabendo elogiar, chamar atenção, ajudar com carinho e competência. Nem eram "chefes", mas boas companheiras de trabalho! E muito exigentes, acompanhando o crescimento das professoras e dos alunos com presença constante. Se tive sucessos, foram espelhados na convivência com estas grandes educadoras! Com elas aprendi a respeitar e conviver com chefes e superiores que sempre foram mais que isso: foram amigos e estimuladores.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Família: Pai, Mãe e...


Na minha longa jornada tenho encontrado muitas pessoas que me estenderam a mão, ajudando-me na caminhada.
Entre elas, com muito orgulho, guardo na lembrança seus exemplos: meu querido Pai e minha Mãe guerreira. Sem me esquecer do Dr. Lucas, nosso vizinho, que da janela de seu sobrado, vendo-me dar "aulas" para tocos de lenha, no nosso quintal, fez questão de custear meus estudos com uma bolsa pródiga, que muito me ajudou!

Meu pai, "Seu" Arthur
Meu querido Pai, "Seu Arthur", que morreu ainda jovem de pneumonia (naquela época, sem antibióticos, era chamada de "mal dos sete dias": quem sobrevivia os 7 dias, livrava-se dela, os que não aguentavam, morriam), era muito querido, com muitos amigos que choraram conosco sua morte prematura.

Eu, quando tinha 5 anos, muito interessada, acompanhava as "aulas" do meu pai para meus 2 irmãos mais velhos, orientando-os nas tarefas de casa. Com carinho ensinou-me a ler, a pesquisar nos mapas e dicionários - a minha paixão!
E sabem do que ele mais gostava?
Era de deitar na cama do casal com os filhos ao redor, depois do serviço, e contar estórias do passado, dos amigos e parentes - isto formou um vínculo muito forte entre todos nós.
Quando ele faleceu, em 1935, eu tinha de 7 para 8 anos. E, graças a ele, por já saber ler e escrever, pulei o 1º ano e entrei direto na 2ª série.
Papai era o amigo que nos escutava, incentivava e amava com seu grande coração. Ai, quanta saudade...
Infelizmente, quando jovem, eu tinha inveja das minhas amigas que tinham seus pais, eu também queria o meu!
Mas Dª Maria Julieta Ramos, minha mãe (ou Dª Mariquita, para os íntimos), não nos deixou entregue à tristeza!

Minha Mãe: Dª Mariquita (aos 80 anos!)
Com garra, amor, coragem e competência, criou os 6 filhos, ganhando a vida como professora, "crocheteira" e cozinheira para recepções e casamentos. Sempre ativa, atenta, cobrando nossas faltas e elogiando nossas vitórias.

Dª Mariquita, quanta saudade!...
Uma vez em que eu reclamava por não ter pai, ela me disse:
- Agradeça a Deus! Ele sabe o que faz. Já pensou seu pai viúvo, com 6 filhos com idades enfileiradas, trabalhando fora? Logo arranjaria uma "madrasta" para ajudá-lo na educação de vocês! O que você acha melhor: uma "madrasta" para ajudá-lo na educação de vocês ou a "mãe" que os ama e quer o melhor para vocês?
E olhe só: ela conseguiu! Com esforço e uma boa dose de sacrifício, criou a família, todos formados, casados e somos unidos até hoje!
Obrigada Mamãe, eu te amo muito, muito Dª Mariquita!
E os irmãos são amigos especiais, companheiros e sustentáculos nas dificuldades desta longa jornada.
Sou feliz por ter uma família unida e amiga!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Ensino Antigo x Moderno


Eu e minha turma de 1958


Eu sempre me pergunto:
A Escola Antiga, decorativa, era boa? A cópia incessante do quadro-negro ensinava?
A 'decoreba' da tabuada valia a pena?
Escrever 10 vezes a palavra que tinha escrito errado ensinava a escrever certo?
O plano diário de aula, com visto da supervisora, ajudava o professor?
A disciplina forçada, de ficar em pé, de castigo, educava?
Nem sempre!
A aprendizagem é complexa, depende da didática, do interesse em aprender, da ajuda em casa, do carisma do professor.
O que vale e enriquece a aprendizagem até hoje é o "dom" de lecionar. É o professor acompanhar o dia-a-dia da aprendizagem, com sequência, paciência, diálogo e amor, muito amor à profissão e aos alunos. 
O interessante é que lembramos dos nomes dos nossos melhores professores com carinho, e carregamos até hoje muita bagagem aprendida na antiga escola primária.
O Governo modernizou a escola oferecendo livros. Ajuda?
Sim e não: ajuda e atrapalha!
Tanto o livro quanto o computador, facilitam a pesquisa e o interesse dos bons alunos, mas não valorizam a escrita, a interpretação oral e o diálogo, que tinham muita importância antigamente.
Os livros, dentro da didática dinâmica, agradam os professores atuais, mas muitas vezes estão além da capacidade de interpretação do aluno.
Será que hoje o professor ainda faz planos de aula diários, numa continuidade de aprendizagem, observando as dificuldades e as complexidades dos conteúdos dos livros, procurando facilitar a compreensão para a classe... ou simplesmente dizem: "Leiam o texto da página xx e respondam o questionário"?
O que observo, nos alunos que me procuram para ajudá-los nas tarefas, é a dificuldade que têm com a leitura, de ler o parágrafo com entonação, sentido e pausas adequadas. Eles soletram algumas palavras, erram na acentuação, não sabem seguir a pontuação adequadamente e não conhecem o significado de muitas palavras.
Muitos não sabem encontrar no texto as respostas dos questionários. 
Isto é ler sem interpretar! Que pena...
Qual é a melhor escola: a Antiga ou a Moderna?

segunda-feira, 21 de maio de 2012

"Conselheira" de ponto de ônibus - III


Outro sábado fui ao centro da cidade comprar remédios. Depois resolvi ir ao supermercado, que fica a uns 4 quarteirões da praça central. Mas ele estava fechado para reforma. Dei meia-volta e fui esperar o ônibus para voltar para casa.
No banco da praça estavam 2 senhoras também à espera de ônibus. Nisto, chega mais uma, reclamando da caminhada perdida (ela também ia ao supermercado) e da demora do ônibus.
Então começa a ladainha de reclamações: uma delas disse estar com fraqueza na perna e precisar de bengala; reclamou do sacrifício que é andar de ônibus. A outra reclamou da demora, dos ônibus sempre cheios e do mau-humor dos motoristas. Todas reclamaram dos maridos: egoístas, doentes e rabugentos; dos filhos ingratos e preguiçosos.
Eu perguntei a idade delas: uma tinha 61 anos, a outra 78 e a de bengala, 81.
- Que bom! - respondi - Eu sou a mais velha: tenho 84 anos.
- Nossa! Como a senhora está forte e conservada!
- É, minhas caras, eu gosto da vida e procuro resolver os problemas à medida em que aparecem. Agora, me digam: por que a pressa de chegar em casa? É pelo trabalho que nos aguarda? Ele não vai sair do lugar e nem brigar quando chegarmos... Nos esperam pacientemente... E ninguém vai fazê-los por nós! Então, que esperem!!! Deixem-me ter a liberdade de estar na rua, de poder andar, conversar e curtir a vida. Não tenha pressa... Vocês repararam como o céu está lindo hoje?
Todas olharam para o céu, acompanhando as nuvens travessas passeando nele, e se esquecendo das "reclamações".
Logo o ônibus chegou. Por sorte, estava relativamente vazio. 
Elas, sorrindo, deram-me um "adeusinho"...

(será que pararam de reclamar?...)


sexta-feira, 18 de maio de 2012

"Conselheira" de ponto de ônibus - II


Aos domingos à tarde eu às vezes vou à missa na Catedral de Nª Srª Aparecida, que fica em um bairro distante do meu. 
Tomo 2 ônibus: um até o centro e outro até a igreja.
Em uma dessas vezes desci do ônibus na praça Tubal Vilela (bem no centro da cidade) para pegar o outro. Como era domingo, a praça estava vazia e os ônibus tinham "sumido".
Sentei-me num banco, perto de um moço que estava com a cabeça bem abaixada. Pergunto-lhe:
- Você sabe se o ônibus 120 já passou?
Ele levanta o rosto e vejo que tem um lado da cabeça deformado, bem afundado, como se não houvesse osso no lado esquerdo do crânio.
Ele diz:
- Já me reparou? Todos fazem isto! Também, quem mandou eu dirigir de moto, em velocidade, depois de beber? Agora sou motivo de riso e de espanto!
- Nossa, meu filho! O que mais lhe importa na vida, é a beleza? Que pena! Veja as rosas: são belas, muito belas, mas logo murcham, ficam feias e são jogadas fora. Para onde foi a beleza? O que é beleza para você? É causar "admiração" ou admirar a nova vida que ganhou de presente, dando-lhe novas oportunidades para lutar, vencer e ser feliz? Aposto como sua família o apoia e está feliz por você estar vivo, andando, enxergando, falando, ouvindo, com todas as faculdades necessárias para bem-viver! Quer mais? Agradeça a Deus, aos parentes, aos amigos, e viva com a beleza interior! Esta não acaba! Acredite em mim.
Ele levantou, apertou-me as mãos e saiu andando de cabeça erguida.
Cena do filme "A Bela e a Fera"

quarta-feira, 16 de maio de 2012

"Conselheira" de ponto de ônibus - I


Aqui os ônibus demoram, demoram... Haja paciência!...
Mas eu adoro andar de ônibus: converso, gosto de ceder meu lugar aos "velhinhos" e mães, agradeço sempre ao motorista, que são todos muito atenciosos comigo, e coleciono novos amigos!
Mas notei que tenho um "papel importante" no ponto de ônibus: "conselheira"!
Com frequência alguém com problemas senta-se no banco do ponto de espera e se abre comigo.

Um dia, um rapaz bonito, estava com uma expressão de raiva, gesticulava impaciente. Eu lhe perguntei:
- Está sentindo alguma coisa? Precisa de ajuda?
- Não! - respondeu asperamente - Minha vida não tem jeito, estou pensando o que vou fazer!
- Que bom! Mas pense com calma para encontrar uma boa resposta para seus problemas. 
Ele olhou-me fixadamente e falou:
- Minha mulher é impossível! Muito egoísta, sempre reclamando... Saí de casa e fui morar com meus pais. Não deu certo! Era briga e reclamação o tempo todo!! Saí e fui morar com um amigo. Grande amigo.... Hoje mandou-me procurar outro lugar! Estou pensando o que vou fazer com minha vida.
- Você reparou que até agora reclamou de todos que lhe deram a mão? Você é homem, deve ter coragem de admitir que está errado. Quer perfeição de todos, mas a seu modo egoísta! Egoísmo é pobreza de espírito. Ou, quem sabe, você é o único "homem perfeito da terra", sem defeitos nem fraquezas?... Já conversou com sua esposa, amigavelmente, se desculpando? Quando falou nela, seus olhos brilharam. Ainda a ama, não é? Mas tem esse orgulho masculino que não o deixa conviver. Conviver é "viver com"... Saber conviver bem é uma arte! É a arte que o amor exige. E para conviver precisamos respeitar, ouvir, agradecer, amar e perdoar sem mágoas. Você consegue fazer isso?
Nisto o ônibus aproxima-se e me preparo para embarcar. O rapaz diz: 
- Espere! Vou com a senhora! Por favor, continue a falar...
- Não. Pense bem e vá procurar sua esposa. Ela o está esperando.
- Obrigado, dona! Qual é o seu nome?
Entro no ônibus e, da janela, respondo sorrindo:
- Sou seu "anjo". Você precisava de ajuda. Agradeça a Deus e que Ele te abençoe. Seja Feliz!


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Para Paulo e Mª Luiza


Meu irmão Paulo está passando por uma série de exames, por questões de saúde e naturais da idade. Nós temos orado, pedindo a Deus forças e vontade de viver para ele. É natural que a família fique preocupada.
Então enviei para o Paulo umas mensagens para fortalecer o espírito e esta carta para minha cunhada:

Mª Luiza,
Deus, depois que fez o Homem, resolveu aprimorar e fez seu projeto mais importante: A Mulher!
Ela seria presença em todos os atos da humanidade: seria a Mãe de Jesus Cristo!
Então nos fez da costela. Por que? Porque ela é curva, forte e limpa. 
Curva para abrigar o coração (amor).
Forte para suportar e ajudar a resolver os problemas, sempre sendo o elo de união da família
Limpa porque tem fé, esperança, amor à vida e a Deus!
Sabe o que eu dizia sempre para minhas alunas, quando choravam ou se entregavam às decepções, para valorizar a Mulher?
- Não chorem! Se lágrima valesse alguma coisa, cairia no bolso! 
O Ser Humano, a começar das crianças e terminar nos idosos, sempre vão depender de nós.
Então sejamos fortes, alegres, cheias de amor e agradecidas a Deus pelo dia-a-dia de nossas vidas, porque nossa missão se espelha na vida de Maria - nossa Mãe de Misericórdia.
Eu faço minhas orações agradecendo e pedindo forças e proteção divina pela nossa missão e pelas nossas famílias. 
Esta é a força que peço para você, Paulo e família. Que Deus os proteja e abençoe.
Amém,                                   
Luzia